'Brasil está virando o Réxico: Rússia no topo e México na base', diz Goldberg

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Sócio da Lumina falou sobre o fetiche do brasileiro com o STF e o que pensa do caso Master no podcast “Hello, Brasil!”

Valor

Daniel Goldberg, sócio-gestor da Lumina Capital, acredita que a eleição presidencial no ano que vem será menos binária do que muitos apostam. Mas não residem aí suas preocupações para o cenário brasileiro – ainda que boa parte delas sejam desafios extras para qualquer governante.

“Quando eu era criança, o Edmar Bacha dizia que o Brasil era a Belíndia, mistura de Bélgica e Índia, mas a Índia hoje tem mobilidade, na margem, um pouquinho melhor que a nossa. Então, o Brasil está virando o Réxico: Rússia no topo e México na base, com o PCC nos postos de gasolina e o capitalismo de oligarcas com o crime organizado se infiltrando nas instituições, que é um problema que o Brasil não tinha”, definiu ele, no podcast “Hello, Brasil!”, comandado pelo CEO da Empiricus, Felipe Miranda, e pela psicanalista Maria Homem.

O ex-secretário de Direito Econômico, no ministério da Justiça do primeiro mandato de Lula, vê o país num “equilíbrio ruim” de “Estado disfuncional, sociedade estamental e economia pouco dinâmica” se perpetuando e com mobilidade intergeracional pior do que a da Índia e equivalente à da África do Sul. “A gente está andando para trás. Os últimos cinco anos foram duros. O Brasil é o país da crueldade com sorriso.”

Para ele, esquerda e direita se igualam em dizer que o outro lado não quer o bem do Brasil, quando na verdade são só os meios defendidos para se chegar a isso que diferem. No cenário eleitoral, que agora se desenha entre Lula e Flávio Bolsonaro – numa candidatura que a Faria Lima ainda não consegue levar a sério -, Goldberg não escondeu sua preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

“Eu, pessoalmente, tenho a impressão de que o Tarcísio seria espetacular, do ponto de vista da agenda econômica. Acho que ele foi um incrível ministro de infraestrutura, o melhor que eu já vi em qualquer governo”, disse, ainda que tecendo críticas à política de segurança pública do governador.

Goldberg também chamou atenção para a relevância que se dá no país, do brasileiro médio à mídia, ao que se passa no Supremo Tribunal Federal (STF) em detrimento à situação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é formado em direito, com master e doutorado na área, pela USP e Harvard Law School.

“A despeito do nosso fetiche coletivo em discutir o STF e o protagonismo político dos ministros (…), eu não acho que esse é nem de longe o maior problema do Brasil. O maior problema do Brasil é o fato de que, no tribunal para a vida pública mais importante do país, que é o STJ, você tem entre oito e 11 dos 33 gabinetes sob investigação por corrupção e ninguém fala do assunto.”

O gestor também comentou por alto sobre o caso do banco Master, instigado por Miranda. Sua avaliação não é que houve falha regulatória e é preciso mexer em um monte de regras no mercado – mas que, talvez, elas não tenham sido devidamente executadas. “A regulação pode melhorar? Pode, mas está longe de ser a causa principal do problema”, disse. “Não é mudar completamente o ecossistema, mas alguém dormiu no ponto.”

Link da publicação: https://pipelinevalor.globo.com/mercado/noticia/brasil-esta-virando-o-rexico-russia-no-topo-e-mexico-na-base-diz-goldberg.ghtml

As opiniões aqui expressas são do autor e não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

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