Lula e Neymar

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Corte de gastos? Nem pensar; as estatais acumularam quase R$ 3 bilhões de prejuízo neste ano, mas privatização continua fora do cardápio, e a reforma da Previdência também não é mencionada

Estadão

“Não deu tempo de discutir o IOF. Era uma sexta-feira, eles queriam anunciar rápido.” Detalhe: dia 22 caiu numa quinta-feira. Lula deixou Haddad na chuva, como já havia feito com Marina.

Um IOF tirado da cartola foi mais uma das trapalhadas do governo. A última coisa de que este país precisa é de mais imposto. Mas catar um dinheiro aqui e ali para cobrir buracos já virou um cacoete do ministro.

O Legislativo agora promete encontrar soluções alternativas ao IOF. A estrela do pacote seria o corte dos gastos tributários, que foram duplicados no governo da companheira Dilma.

Todo mundo sabe que o mais óbvio e eficaz é acabar com a Zona Franca de Manaus. É ver para crer. Fiz até uma aposta: se a ZFM acabar, eu torço pelo Flamengo. Se for contra o Palmeiras, já vira uma promessa mais fácil de ser cumprida, mas acho que não estou correndo risco.

Motta e Alcolumbre nem cogitam mexer nas emendas. Nossos parlamentares gastam muito e gastam mal. Dos 20 municípios mais pobres do País, 15 não receberam nem sequer um real dos R$ 50 bilhões distribuídas por eles.

Corte de gastos? Nem pensar. As estatais acumularam quase R$ 3 bilhões de prejuízo apenas neste ano, mas privatização continua fora do cardápio. A reforma da Previdência também não é mencionada.

 mais eficaz “medida estruturante” que Haddad pode apresentar neste momento é desfazer os erros do PT, a começar pelo seu próprio arcabouço. Todo esse desajuste nas contas públicas estava contratado.

Mudanças na indexação dos gastos em Saúde e Educação e, especialmente, o aumento real do salário mínimo foram erros de raiz. Previsões totalmente irrealistas para receitas montaram a farsa.

A vida de Lula vai se complicando, muito difícil ser populista sem grana. Mas ele segue na luta. Com rombo e tudo, ele prepara o lançamento de um mini-PAC. Segundo ele, a tunga do INSS é “coisa de pobre roubando pobre”. Não sabia que gente da alta administração pública estava passando fome. Diz que fez o sertão virar mar porque Deus lhe deixou essa missão. Ainda bem que o chinês está chegando para acabar com as fake news.

Não pode ser só gafe. É a política da Secom mesmo, que escolheu pisar fundo no populismo eleitoreiro. Não veem que o País mudou. A população não precisa de painho, só quer um Estado que não atrapalhe a sua vida e devolva em serviços o que pega em impostos.

Lula prometeu: “Se eu estiver bonitão do jeito que estou, posso pensar no 4º mandato”. Como Neymar, já passou da hora de Lula pendurar as chuteiras.

Link da publicação: https://www.estadao.com.br/economia/elena-landau/catar-dinheiro-aqui-ali-cobrir-buracos-virou-cacoete-haddad/

As opiniões aqui expressas são do autor e não refletem necessariamente as do CDPP, tampouco as dos demais associados.

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