"Think tank" contra fim do fator previdenciário

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AE-News/Broadcast


O CDPP, um ‘think tank’ com prestigiados economistas de tendência mais liberal e ortodoxa, se posiciona em carta aberta contra o fim do fator previdenciário.

O Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), “think tank” de economia sediado em São Paulo, posicionou-se contra o fim de fator previdenciário em carta aberta divulgada na terça-feira, 26/5/15. A tomada de posição vem na hora em que alguns economistas de renome ligados ao PSDB, como Edmar Bacha, um dos “pais” do plano Real, dão aval aos votos do partido contra medidas do ajuste fiscal promovido pela atual equipe econômica da presidente Dilma Rousseff.

A carta do CDPP se encerra com uma exortação explícita aos Poderes da República:

“Pedimos ao Senado que rejeite a medida e, caso necessário, que a presidente a vete”.

Curiosamente, o próprio Bacha, tucano histórico, está entre os associados do CDPP, que reúne economistas majoritariamente de tendência liberal, como Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco, e Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, que fazem parte da diretoria. Entre os associados, há ex-presidentes do Banco Central (BC), como Persio Arida (outro “pai” do plano Real) e Henrique Meirelles; vários ex-diretores do BC, como Alexandre Schwartsman, Mário Mesquita, Beny Parnes, Daniel Gleizer e Demosthenes Madureira de Pinho Neto; membros do governo FHC, como Pedro Malan e o próprio Arida, membros do governo Lula, como Marcos Lisboa; além do banqueiro Pedro Moreira Salles, do celebrado gestor Luis Stuhlberger e outros.

É um grupo de peso e grande prestígio no mercado financeiro e entre lideranças econômicas, que na sua maioria provavelmente apoia o ajuste fiscal em curso e que pensa que as forças políticas relevantes, como o PSDB, não deveriam sabotá-lo apenas por tática política para enfraquecer o PT.

Na Carta Aberta, o CDPP alerta que o País “vive as consequências dos graves desequilíbrios fiscais dos últimos anos em um momento político delicado”. Para o think tank, o fim do fator previdenciário aprovado pela Câmara de Deputados “piora ainda mais as condições das contas públicas no longo prazo”.

Apontando que o gasto com o INSS cresceria 0,7 ponto porcentual do PIB entre 2014 e 2018 mesmo com o fator previdenciário, os autores da carta aberta estimam que a proposta aprovada pela Câmara deve aumentar em 25% os gastos com aposentadorias por tempo de contribuição, que representam 30% da despesa do INSS. Isto, por sua vez, colocará ainda mais pressão pelo aumento dos impostos para garantir o equilíbrio fiscal. (Fernando Dantas – fernando.dantas@estadao.com)


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